
Reino Unido corta milhões em financiamento para florestas do Congo
O Reino Unido reduz drasticamente o apoio financeiro às florestas do Congo, afetando a conservação ambiental e comunidades locais.
Cortes drásticos no financiamento das florestas do Congo
O Reino Unido decidiu cancelar projetos que somam milhões de libras destinados à proteção das florestas do Congo, a segunda maior floresta tropical do mundo. Essas iniciativas representavam cerca de metade dos £200 milhões prometidos pelo país para apoiar a conservação na bacia do Congo. Durante a COP26, realizada em Glasgow, o Reino Unido lançou uma nova iniciativa para acabar com a perda de florestas, incluindo uma promessa coletiva de 12 doadores de pelo menos US$ 1,5 bilhão para os países da floresta do Congo até 2025.
A ministra do Desenvolvimento, Jenny Chapman, revelou que, até 2024, o Reino Unido havia contribuído com apenas £39,8 milhões para esse objetivo. Juntamente com os EUA e a maior parte da Europa, o país reduziu significativamente seu orçamento de ajuda nos últimos anos, resultando no cancelamento ou reavaliação de muitos projetos de conservação no Congo.
Promessas não cumpridas
Na COP26, liderada pelo então primeiro-ministro Boris Johnson, o Reino Unido lançou a "declaração dos líderes de Glasgow", com o intuito de "parar e reverter a perda de florestas" até 2030, apoiada por mais de 140 nações. O Reino Unido havia prometido £200 milhões para proteger a bacia do Congo, £350 milhões para florestas tropicais na Indonésia e até £300 milhões para a Amazônia.
Entretanto, devido a cortes sucessivos na ajuda, o financiamento para o Congo está ameaçado. O programa de ação florestal da bacia do Congo (CBFA), estabelecido no COP27 para fornecer cerca de metade dos £200 milhões prometidos, teve seu orçamento original de £90 milhões reduzido para apenas £18,8 milhões. Dados do governo indicam que £15 milhões desse valor já foram gastos.
Impactos globais
As florestas da bacia do Congo são o maior sumidouro de carbono do planeta, e seus seis países anfitriões estão entre os mais pobres do mundo, enfrentando grandes barreiras financeiras. Um relatório oficial do Reino Unido alertou que a "degradação ou colapso" das florestas amazônicas ou congolezas ameaça a segurança nacional e prosperidade do Reino Unido.
Damian Fleming, diretor sênior de florestas do WWF International, destacou que os países com florestas tropicais estão tomando decisões políticas e de desenvolvimento a longo prazo, esperando que parceiros internacionais honrem seus compromissos. Apesar de ter sido apresentada como a contribuição do Reino Unido para a meta global de £1,1 bilhão até 2025, a meta de £200 milhões tem um prazo até 2029.
O futuro das florestas
O governo do Reino Unido afirma que continua comprometido em priorizar as florestas da bacia do Congo, embora tenha enfrentado críticas por não ter reservado quantias específicas para natureza e florestas em sua nova estratégia de ajuda. Além disso, a criação da "Tropical Forest Forever Facility" (TFFF) no Brasil, um projeto emblemático, não recebeu financiamento até o momento.
Os ministros asseguram que a natureza será um foco contínuo nas novas promessas de financiamento climático, mas o movimento em direção a cortes de financiamento específico para florestas suscita preocupações. Sarah Champion, presidente do comitê de desenvolvimento internacional da câmara dos deputados, alertou que a redução nas "sub-promessas" para natureza e florestas é uma abordagem "impactante" para assegurar o financiamento necessário,
O compromisso do Reino Unido em fornecer recursos para florestas continua, mas a falta de clareza sobre os montantes reservados levanta questões sobre a seriedade do apoio à conservação ambiental na bacia do Congo.
Fonte original: UK withdraws millions in funding from world’s second-largest rainforest in Congo - Carbon Brief
Artigo traduzido e adaptado pela equipe Nutricao.net
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