
Por que as cidades precisam de mais do que ar-condicionado para enfrentar o calor extremo
Cidades em todo o mundo lidam com ondas de calor intensas. Pesquisas indicam que soluções comunitárias podem ser mais eficazes do que apenas ar-condicionado.
A Necessidade de Soluções Além do Ar-Condicionado
As cidades ao redor do mundo estão enfrentando ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas, o que leva a uma crescente dependência do ar-condicionado para manter as áreas urbanas frescas. Um exemplo é o Reino Unido, que registrou o verão mais quente de sua história em 2025. Entretanto, menos de 5% das residências britânicas têm ar-condicionado, e os grupos mais vulneráveis, como idosos, famílias de baixa renda e pessoas com condições de saúde pré-existentes, muitas vezes não conseguem arcar com os custos de instalação ou operação.
Embora o ar-condicionado seja uma solução válida em alguns contextos, como hospitais e lares de cuidados, não deve ser a única alternativa. Pesquisas do projeto IMAGINE Adaptation indicam que uma abordagem universal focada apenas em soluções técnicas pode acentuar desigualdades e negligenciar realidades sociais, econômicas e ambientais. Para lidar com as temperaturas extremas, é fundamental que as cidades adotem um foco mais intenso em comunidade e equidade.
Contextualizando a Vulnerabilidade ao Calor Urbano
No Reino Unido, as ondas de calor estão se tornando mais recorrentes e severas. De acordo com o Met Office, até 2080, as temperaturas médias de verão podem aumentar em até 6,7°C. Durante o verão de 2023, aproximadamente 2.295 mortes relacionadas ao calor foram registradas no país, sendo 240 na região sudoeste. Os idosos, especialmente aqueles com mais de 65 anos, foram os mais impactados.
Um relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente destaca a necessidade urgente de estratégias de adaptação para enfrentar o aumento das temperaturas. No entanto, a pesquisa mostra que considerar o ar-condicionado como a solução padrão pode agravar o problema, aumentando as emissões e as contas de energia, além de perder a oportunidade de criar respostas mais inclusivas e centradas nas pessoas.
Expandindo o Conceito de ‘Espaços Frescos’
Cidades como Bristol, no Reino Unido, estão desenvolvendo iniciativas de “espaços frescos” com o apoio do projeto IMAGINE Adaptation. Essa iniciativa visa identificar uma rede de espaços públicos que possam oferecer alívio durante períodos de calor extremo, incluindo parques, bibliotecas, centros comunitários e até fazendas urbanas.
Mas o que torna um espaço “fresco”? Através de pesquisas, entrevistas e oficinas, identificamos que “fresco” vai além da temperatura. Fatores como sombra, ventilação natural, assentos, acesso à água e banheiros são importantes para o conforto. Além disso, a sensação de acolhimento e a gratuidade do espaço também são essenciais.
Conectando Esforços de Adaptação
Entender a dinâmica de adaptação é crucial, especialmente para crianças, que são mais vulneráveis ao aumento das temperaturas. Em Bristol, por exemplo, o playground Felix Road introduziu áreas sombreadas e água potável para ajudar as crianças durante o calor. Contudo, a adaptação não ocorre apenas em locais individuais, mas também na conectividade entre eles.
Abordagens Relacionais para Adaptação
Ver o resfriamento como uma questão social transforma a abordagem em relação à adaptação urbana e à ação climática. Espaços comunitários bem projetados não apenas proporcionam conforto físico, mas também apoio social. Esses locais oferecem oportunidades para interações que podem ajudar a reduzir o estresse térmico e a solidão social durante as ondas de calor.
Desafios e Compromissos
A pesquisa revela que imaginar uma adaptação “fresca” enfrenta desafios. Estratégias adaptativas devem ser sensíveis ao contexto e considerar as necessidades e expectativas de cada comunidade, sem negligenciar a urgência da ação climática. O que funciona em um bairro pode não ser adequado em outro.
Diante das mudanças climáticas, as cidades devem ir além do ar-condicionado como única solução, adotando uma abordagem que priorize o cuidado mútuo e a construção de espaços públicos acolhedores e inclusivos.
Fonte original: Guest post: Why cities need more than just air conditioning for extreme heat - Carbon Brief
Artigo traduzido e adaptado pela equipe Nutricao.net
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