
Fires na Europa: Desmistificando o Ano 'Mais Calmo' de 2026
Análise revela que 2026 não é o ano mais tranquilo para incêndios na Europa, com dados alarmantes vindo de França e Espanha.
Incêndios na Europa: Uma Análise Crítica
Recentemente, diversos comentaristas e céticos do clima divulgaram nas redes sociais gráficos que sugerem erradamente que 2026 seria o "ano mais calmo" para incêndios florestais na Europa. Entre eles está o Dr. Matthew Wielicki, geocientista e ex-professor da Universidade do Alabama, que foi nomeado pela administração Trump para liderar o Programa de Pesquisa sobre Mudança Global dos EUA.
Entretanto, esses gráficos distorcem a realidade ao incluir dados de toda a Rússia, abrangendo as vastas planícies da Sibéria. Além disso, os dados utilizados incluem incêndios intencionalmente provocados para manejo de terras agrícolas, prática que tem diminuído na Europa. A análise do Carbon Brief revela que a área queimada por incêndios florestais na União Europeia em 2026 é a segunda maior desde 2022 nesta época do ano.
Dados recentes do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) mostram que a França estabeleceu um novo recorde moderno de área queimada, enquanto a temporada de incêndios na Espanha está entre as piores já registradas. Os incêndios deslocaram mais de 300 mil pessoas no sudoeste europeu, e uma onda de calor iminente levanta preocupações sobre a intensificação desses incêndios nos próximos dias.
O 'Ano Mais Calmo'?
No dia 27 de julho, enquanto os incêndios devastavam vários países europeus, o comentarista Matt Ridley postou no Twitter que "2026 é o ano mais calmo para incêndios na Europa por uma grande margem". Ridley, que faz parte do conselho consultivo acadêmico da Global Warming Policy Foundation (GWPF), um grupo de lobby cético em relação ao clima no Reino Unido, usou um gráfico da Our World In Data, que mostra a área cumulativa queimada por incêndios florestais na Europa.
No entanto, essa análise ignora a complexidade das condições climáticas na Europa. O Dr. Calum Cunningham, pesquisador da Universidade da Tasmânia, afirmou que tais alegações são "altamente enganosas", ressaltando que "um ano relativamente calmo na Rússia pode facilmente mascarar uma temporada excepcionalmente ativa na França ou na Espanha".
Incêndios na França
Os dados da EFFIS revelam que, até 29 de julho, a área queimada na França já ultrapassou 24.700 hectares acima do recorde anterior. Esse aumento significativo ocorreu após uma onda de calor em junho, que secou a vegetação no país, facilitando a propagação dos incêndios. O presidente francês, Emmanuel Macron, convocou uma reunião de gabinete de crise para lidar com a situação, que já resultou na evacuação de mais de 220 mil pessoas em áreas afetadas.
Incêndios na Espanha
Embora a temporada de incêndios na Espanha não tenha quebrado recordes como na França, está a caminho de ser uma das piores desde que o EFFIS começou a compilar dados em 2006. Dados recentes mostram que a área queimada na Espanha já se aproxima do limite anterior para esta época do ano, com quase 90 mil pessoas afastadas de suas casas devido aos incêndios que afetam a região central do país.
A situação levou os governos do Reino Unido, França e Espanha a emitirem declarações conjuntas, caracterizando os incêndios deste verão como uma emergência de segurança nacional, refletindo a gravidade da crise climática que enfrenta a Europa.
Fonte original: Factcheck: No, Europe is not having its ‘quietest’ year for wildfires - Carbon Brief
Artigo traduzido e adaptado pela equipe Nutricao.net
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