
Estratégia do Mercado de Carbono do Paraguai em Foco
Paraguai busca se destacar no mercado global de carbono, atraindo investimentos para desenvolvimento sustentável e aproveitando sua energia 100% renovável.
Introdução
O Paraguai está determinado a explorar as oportunidades financeiras do mercado global de carbono. Em um evento inédito, o primeiro fórum de carbono do país reuniu, no final de março, autoridades governamentais, desenvolvedores de projetos, financiadores e especialistas internacionais.
O presidente paraguaio, Santiago Peña, abriu o evento afirmando que o governo tem como objetivos "mobilizar investimentos, fortalecer a competitividade e transformar nosso capital natural em oportunidades de desenvolvimento concretas para todos os paraguaios".
O Mercado de Carbono
O Paraguai está se preparando para estabelecer um marco legal que viabilize projetos de créditos de carbono, alinhando-se ao Artigo 6 do Acordo de Paris. Este artigo define operações que permitem que países adquiram créditos de carbono de outros países para cumprir suas obrigações de redução de emissões.
O ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Paraguai, Rolando De Barros Barreto Acha, destacou que “não se trata apenas de idealismo, mas sim de uma oportunidade de negócio que beneficiará todos os setores da sociedade".
Dinâmica dos Mercados de Carbono
O mercado voluntário de carbono enfrenta críticas, especialmente em relação à integridade de alguns projetos. Os créditos de carbono no mercado voluntário são vendidos por cerca de US$ 5 a US$ 10 por tonelada de emissões evitadas. Em contraste, os mercados de compliance, que exigem que países compensem emissões que não podem reduzir, têm preços que podem chegar a US$ 40 por tonelada.
O Paraguai está focado em desenvolver sua rede de créditos de carbono para esses mercados de compliance. Victor Gonzalez, diretor de mercados de carbono do Ministério do Meio Ambiente, enfatizou: "Não se trata de quem pode vender mais créditos, mas de quem pode vender melhores créditos a preços mais altos".
O Plano do Paraguai
O Paraguai possui vantagens significativas, como uma matriz elétrica 100% renovável, principalmente proveniente da Usina Hidrelétrica de Itaipu, compartilhada com o Brasil. Essa condição permite ao país gerar créditos de carbono não apenas do setor florestal, mas também da eletrificação de processos industriais e de transporte.
Apesar de outros países da América Latina, como Brasil, Colômbia e Peru, já estarem mais avançados nesse setor, o Paraguai vê isso como uma oportunidade. Gonzalez mencionou que começar do zero pode facilitar o desenvolvimento das estruturas legais necessárias.
O país já firmou acordos com Cingapura, Emirados Árabes Unidos e Taiwan para colaborar em projetos de créditos de carbono. Além disso, Nova Zelândia, Noruega e Suécia estão analisando acordos semelhantes.
Desafios e Oportunidades
Outro aspecto que facilita a movimentação rápida do Paraguai é a alta proporção de terras privadas, o que simplifica os acordos para o uso da terra. No entanto, a desigualdade na distribuição de terras é um tema sensível. Victor Vera, membro da organização paraguaia de conservação OPADES, alertou que, embora o setor privado se beneficie, é crucial que políticas públicas incluam comunidades locais e pequenos produtores.
Gonzalez ressaltou que a reputação é fundamental nesse mercado: "É um mercado 100% reputacional. Não se trata de sanções, mas de reputação". O desafio será garantir que todos os paraguaios tenham acesso às oportunidades que surgem com o mercado de carbono.
Fonte original: Money Trees: Paraguay’s Carbon Market Strategy Comes into Focus - Triple Pundit
Artigo traduzido e adaptado pela equipe Nutricao.net
Gostou deste artigo?
Compartilhe com quem também se interessa por sustentabilidade corporativa.