
Emissões de incêndios na Indonésia em 2026 podem igualar recordes
Incêndios na Indonésia estão a caminho de gerar emissões recordes em 2026, com impactos significativos para o clima global.
Incêndios na Indonésia e suas emissões
Os incêndios florestais que devastam grandes áreas na Indonésia estão projetados para gerar emissões equivalentes à temporada de incêndios mais intensa do século. Dados do Global Fire Emissions Database indicam que, até 7 de setembro, os incêndios na Indonésia já produziram 76 milhões de toneladas de carbono (MtC) em 2026, colocando este ano em um caminho semelhante ao de 2015, quando 2,6 milhões de hectares foram queimados, resultando em 333 MtC de emissões.
Dr. Guido van der Werf, pesquisador da Wageningen University, afirma que os incêndios atuais estão “mais ou menos na trajetória” dos níveis observados há 11 anos. Regiões como a província oriental de Papua estão “queimando mais do que nunca”.
Histórico de incêndios e suas consequências
A Indonésia tem um histórico de incêndios que geram grandes emissões de carbono. A temporada de incêndios recorde de 1997 foi responsável por emissões equivalentes a 13-40% de todas as emissões globais de combustíveis fósseis daquele ano. Um estudo separado sobre os incêndios de 2015 na região do Sudeste Asiático revelou que suas emissões de dióxido de carbono (CO2) superaram o total das emissões da União Europeia naquele ano. A fumaça densa provocada pelos incêndios foi associada a mais de 100.000 mortes prematuras na região.
Influência do El Niño
Assim como em 2015 e 1997, os incêndios na Indonésia deste ano ocorrem durante um fenômeno natural conhecido como El Niño, que está ligado às temperaturas do oceano Pacífico. Essa condição climática eleva as temperaturas e seca o solo, criando um ambiente propício para incêndios de grande escala, que impactam as emissões globais.
Os cientistas projetam que o El Niño de 2023, que começou em junho e deve durar até 2027, será um dos mais intensos já registrados. Segundo Dr. Mark Parrington, do Copernicus Climate Change Service, a temporada seca em Indonesia, que vai de agosto a novembro, normalmente vê incêndios, mas não na escala observada este ano.
A questão das práticas agrícolas
Dr. Nisa Novita, líder estratégica de áreas de turfa na ONG ambiental indonésia Yayasan Konservasi Alam Nusantara, explica que o El Niño não causa diretamente a maioria dos incêndios, mas atua como um amplificador ao criar condições quentes e secas que facilitam a ignição e a propagação das chamas. Estudos mostram que os incêndios na Indonésia frequentemente ocorrem em áreas onde houve desmatamento e drenagem de turfeiras para agricultura e plantações de óleo de palma, resultando em paisagens altamente inflamáveis.
Medidas de restauração e desafios
A escala dos incêndios deste ano e se eles superarão os de 2015 dependerá da duração do El Niño e da eficácia das recentes iniciativas de conservação de turfeiras. Novita ressalta que os incêndios na Indonésia são intensivos em emissões devido ao vasto ecossistema de turfeiras tropicais.
Após os incêndios devastadores de 1997-98, o governo indonésio implementou diversas medidas para fortalecer a proteção e a restauração de turfeiras, incluindo a introdução de um moratório sobre licenças para conversão de florestas e turfeiras em plantações e áreas de exploração.
Embora os esforços de restauração de turfeiras nos últimos anos tenham sido creditados por reduzir o número de incêndios durante o El Niño de 2019, a eficácia dessas medidas ainda é questionada. Van der Werf expressa preocupação, afirmando que as regulamentações podem não ter sido suficientes para evitar a atual temporada de incêndios, especialmente em regiões como Papua.
Conclusão
A situação na Indonésia serve como um alerta sobre os riscos das práticas agrícolas insustentáveis e os impactos das mudanças climáticas, evidenciando a necessidade urgente de ações mais robustas para mitigar essas emissões e proteger o meio ambiente.
Fonte original: El Niño: Indonesia fire emissions in 2026 ‘on track’ to match record for this century - Carbon Brief
Artigo traduzido e adaptado pela equipe Nutricao.net
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