Comunidades do Zimbábue Criam Programas de Empréstimos em Meio à Exclusão Bancária
Com bancos inacessíveis, comunidades do Zimbábue formam grupos de poupança para financiar moradias e pequenos negócios, promovendo a autossuficiência.
Comunidades do Zimbábue Buscam Alternativas Financeiras
Em uma casa de tijolos modernos na vila de Chitiyo, no leste do Zimbábue, Esther Mwedzi, mãe de três filhos, reflete sobre sua trajetória. "Construí esta casa com meu próprio esforço", conta a mulher de 38 anos. Mwedzi faz parte do grupo de poupança Mutekwatekwa, onde, sem acesso a bancos, utilizou empréstimos de baixo juros para adquirir materiais de construção.
A Realidade das Finanças em Zimbábue
Estes grupos informais, conhecidos como "mukando" em Shona, oferecem empréstimos a 10% de juros, enquanto os bancos comerciais cobram até 46% anuais. No contexto atual, onde a maioria da população trabalha no setor informal e enfrenta barreiras como a exigência de comprovantes de renda, essas iniciativas são essenciais. Rashweat Mukundu, comentarista social, destaca que os grupos de poupança são uma forma de os membros da comunidade se apoiarem mutuamente.
Empréstimos entre Vizinhos
Os grupos de poupança permitem que pessoas contribuam mensalmente, formando um fundo comum. O Mutekwatekwa, fundado em janeiro de 2024, conta com 50 membros, organizados em grupos menores. Cada participante contribui com pelo menos US$ 5 mensais, possibilitando o acesso a empréstimos que devem ser devolvidos em um mês, com juros.
Jeremiah Chitiyo, presidente do grupo, explica: "No final do ano, as economias dos membros normalmente dobram." Esses empréstimos têm possibilitado a construção de casas, compra de gado e até o custeio de mensalidades escolares.
O Impacto Geral
Os grupos de poupança têm um papel vital na melhoria das condições de vida, além de promover a agricultura sustentável. Delilah Takawira, diretora da CARE Zimbabwe, ressalta que a organização ajudou a estabelecer esses grupos com apoio da USAID, permitindo que as comunidades gerenciem seus próprios recursos. Embora cortes de financiamento tenham afetado o programa, a autonomia foi um dos pilares do projeto.
Desafios e Riscos
Entretanto, os grupos também enfrentam desafios. A falta de acordos formais pode levar a situações de inadimplência, prejudicando o fundo comum. Para mitigar esses riscos, o grupo Mutekwatekwa implementou uma constituição interna rigorosa e mantém as transações transparentes entre os membros.
O Futuro
Mwedzi planeja usar novos empréstimos para iniciar um projeto de criação de frangos, diversificando assim sua fonte de renda. "Agora que terminei a construção, quero investir na avicultura", afirma, vislumbrando novas oportunidades no mercado da capital provincial, Mutare.
Fonte original: Zimbabwean Communities Shut Out by Banks Are Building Their Own Loan Programs - Triple Pundit
Artigo traduzido e adaptado pela equipe Nutricao.net
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