Retorno ao carvão em 2026 é improvável, mesmo com crise no Irã

Retorno ao carvão em 2026 é improvável, mesmo com crise no Irã

Estudo revela que aumento da geração de energia a carvão global será limitado, mesmo após crise no Irã. Projetos de energia limpa são mais atrativos.

01/05/2026Equipe Nutricao.net
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Retorno ao Carvão

Analisando a atual crise energética gerada pela guerra no Irã, especialistas afirmam que o tão discutido "retorno ao carvão" será muito mais limitado do que se imaginava. Um novo estudo da Ember, divulgado exclusivamente pelo Carbon Brief, aponta que a produção global de energia a carvão deve aumentar apenas 1,8% neste ano, o que representa um cenário pessimista. A realidade pode ser ainda mais baixa.

Até o momento, não houve evidências concretas de um "retorno ao carvão" em 2026. Países como Japão, Paquistão e Filipinas, que anunciaram planos para aumentar o uso do carvão devido à interrupção do fornecimento de gás, provavelmente resultarão apenas em um "pequeno aumento" na geração de energia a carvão.

Na verdade, a queda da geração de energia a carvão em vários países, somada à possibilidade de desaceleração do crescimento da demanda global por eletricidade, pode levar a uma redução contínua da geração a carvão neste ano.

Crise do Gás e Respostas Globais

A crise atual foi desencadeada pelos conflitos entre os EUA e o Irã, que resultaram na obstrução do estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o transporte de gás natural liquefeito (GNL). Aproximadamente 20% do GNL mundial transita por essa região, principalmente para países asiáticos. A interrupção nessa rota de fornecimento resultou em um aumento considerável nos preços do gás.

Frente a essa situação, pelo menos oito países na Ásia e na Europa anunciaram planos para aumentar a geração de energia a carvão ou revisar a desativação de usinas de carvão. Esses países incluem:

  • Japão
  • Coreia do Sul
  • Bangladesh
  • Filipinas
  • Tailândia
  • Paquistão
  • Alemanha
  • Itália

Entretanto, especialistas alertam que essas decisões não representam um retorno significativo, mas sim medidas emergenciais que podem atrasar a transição para energias mais limpas.

Análise do Cenário Global

Os dados do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo indicam que, até março, a geração global de energia a carvão permaneceu estável, enquanto a queda na geração a gás foi compensada por aumentos significativos em energia solar e eólica. A análise da Ember considerou 16 países, além dos 27 membros da UE, que juntos representam 95% da geração total de energia a carvão em 2025.

O estudo conclui que os fatores analisados podem aumentar o uso de carvão em 175 terawatts-hora (TWh), ou 1,8%, em 2026 em comparação com 2025. No entanto, essa previsão depende de fatores como a continuidade dos altos preços do gás e a disponibilidade de estoques de carvão.

Declínio Estrutural

Especialistas afirmam que a análise da Ember reflete a realidade do setor de carvão. Antes da crise, o carvão já apresentava custos operacionais mais baixos do que o gás, o que limitava o potencial de aumentar a geração a carvão em economias asiáticas que dependem do GNL. Além disso, na Europa, a possibilidade de migração do gás para o carvão está diminuindo.

Países como a Itália, que adiou sua desativação do carvão de 2025 para 2038, enfrentam críticas pela ineficácia de suas políticas. Não há evidências de um retorno estrutural ao carvão que possa comprometer as metas climáticas globais.

Com a competitividade de fontes renováveis como solar, eólica e armazenamento, o cenário atual reforça a transição para energias mais limpas. A guerra no Irã, ao invés de impulsionar o carvão, fortalece a argumentação a favor das renováveis como a escolha mais segura a longo prazo.

Em resumo, o que se observa é uma leve alta no uso de carvão, mas não um retorno significativo. A verdadeira mudança está na crescente atratividade das energias renováveis diante da crise energética atual.


Fonte original: World ‘will not see significant return to coal’ in 2026 – despite Iran crisis - Carbon Brief

Artigo traduzido e adaptado pela equipe Nutricao.net

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