
Poder da Energia Eólica Chinesa: Implicações para as Metas Climáticas da Europa
A entrada da indústria eólica chinesa na Europa pode afetar as metas climáticas, trazendo desafios e oportunidades ao mercado europeu.
O Desafio das Metas Climáticas da Europa
A União Europeia e o Reino Unido estão enfrentando dificuldades para cumprir as metas de energia eólica offshore para 2030. Ao mesmo tempo, fabricantes de turbinas eólicas da China, que representam mais da metade da capacidade global, estão buscando expandir sua atuação no mercado europeu, atualmente pequeno.
A Dilema da Competição
Alguns especialistas acreditam que permitir investimentos chineses poderia aumentar a concorrência, aliviar gargalos na cadeia de suprimentos e reduzir custos, ajudando assim a atingir as metas climáticas. No entanto, a crescente presença das empresas chinesas no mercado europeu gerou um intenso debate entre os formuladores de políticas e participantes da indústria. Em 2024, três das principais empresas chinesas de turbinas eólicas representavam menos de 1% da capacidade instalada na Europa, mas estão cada vez mais focadas no continente. Isso levanta preocupações sobre a possível erosão da única indústria de energia limpa em que a Europa ainda mantém competitividade.
Críticos afirmam que a competição entre fabricantes europeus e chineses seria "injusta", pois os descontos oferecidos por empresas chinesas parecem ser, em parte, resultado de subsídios estatais.
Vantagens de Custo: Uma Análise Detalhada
A China lidera em muitos indicadores globais de energia eólica offshore, com 47 gigawatts (GW) instalados até setembro de 2025, superando todos os outros países juntos. Esse crescimento trouxe quedas impressionantes nos custos de instalação. No entanto, essa vantagem de custo não é tão clara quanto parece. Embora os custos de capacidade na China sejam significativamente mais baixos, a eletricidade gerada por seus parques eólicos é apenas 30% mais barata.
Os fatores que explicam essa discrepância incluem:
- Fatores de capacidade mais baixos: a produção real das turbinas na China é inferior à capacidade máxima esperada.
- Custos de transporte: as vantagens de custo podem ser anuladas por custos de envio e seguros quando vendidas na Europa.
Desafios da Indústria Europeia
Os planos de desenvolvimento de energia eólica offshore na Europa enfrentam vários obstáculos:
- Custos crescentes
- Processos de licenciamento lentos
- Designs ineficientes de leilão
- Longos tempos de conexão à rede
- Disponibilidade limitada de partes e embarcações de instalação
Com apenas três grandes fabricantes de turbinas eólicas na Europa (Vestas, Siemens Gamesa e GE Vernova), a competição é escassa. A saída de empresas como a GE do setor offshore reduz ainda mais a concorrência, dificultando a redução de custos.
Caminhos para a Participação Chinesa
Enquanto isso, os desenvolvedores chineses têm um mercado interno robusto. No entanto, a competição acirrada está levando-os a buscar oportunidades no exterior. Componentes e serviços chineses já ajudam a aliviar os gargalos na cadeia de suprimentos na Europa.
A entrada de empresas chinesas no mercado europeu, no entanto, não é isenta de riscos. A política de segurança e a dependência tecnológica estão entre as preocupações que podem restringir a expansão chinesa. O caso do projeto Luxcara na Alemanha, que inicialmente selecionou um fabricante chinês, mas depois optou por uma empresa europeia, destaca essas complicações.
Conclusão
Embora a participação chinesa possa trazer benefícios, como redução de custos e aumento da concorrência, é fundamental que a Europa mantenha um foco em políticas consistentes que incentivem o desenvolvimento doméstico. A verdadeira chave para o sucesso no mercado de energia eólica offshore europeu será o apoio contínuo das políticas, e não apenas a decisão de permitir ou bloquear a participação chinesa.
Fonte original: Experts: Will Chinese wind power help or hinder Europe’s climate goals? - Carbon Brief
Artigo traduzido e adaptado pela equipe Nutricao.net
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