
Economia do Crocodilo: Desvinculando Crescimento de Combustíveis Fósseis
O conceito de 'Economia do Crocodilo' mostra como 49 países estão reduzindo emissões de gases do efeito estufa enquanto crescem economicamente através de energias renováveis.
O que é a Economia do Crocodilo?
A "Economia do Crocodilo" é um termo colorido que representa um modelo de descarbonização já defendido por ativistas climáticos há décadas. A ideia central é que, se as energias renováveis conseguirem ser mais baratas que os combustíveis fósseis, as emissões de gases do efeito estufa de um país cairão enquanto a economia continua a crescer. Visualmente, esse conceito é representado por um gráfico onde os combustíveis fósseis formam a mandíbula inferior de um crocodilo descendo, enquanto o crescimento econômico é simbolizado pela mandíbula superior subindo.
De acordo com um estudo publicado na revista Nature, a "Economia do Crocodilo" já se concretizou em 49 países, principalmente na Europa e na Oceania. Uma nova pesquisa divulgada pela Energy and Climate Intelligence Unit estima que países que representam 92% da economia global desconectaram suas emissões do crescimento econômico nos últimos 10 anos desde o Acordo de Paris.
O Papel das Economias Emergentes
As economias emergentes estão acelerando essa transição ao adotarem diretamente as energias renováveis em suas crescentes necessidades energéticas. A Exponential Roadmap Initiative projeta que essas nações podem pular o desenvolvimento intensivo em carbono, aproveitando as tecnologias limpas acessíveis disponíveis atualmente.
Katarina Wangler Björk e Owen Gaffney, do Future Earth Media Lab, afirmam que mesmo nos Estados Unidos, as emissões de CO2 relacionadas à energia estão 20% mais baixas do que em 2005, enquanto o PIB continuou a subir. Jonathan Watts, do The Guardian, observa que, apesar das tentativas do ex-presidente Donald Trump de reverter essa tendência, as emissões nos EUA têm diminuído na maior parte das últimas duas décadas.
Exemplos de Sucesso
Na Califórnia, o estado tem se destacado ao mostrar que a desvinculação das emissões do crescimento econômico é uma questão de vontade política, não de tecnologia. Desde 2000, a Califórnia reduziu suas emissões de gases de efeito estufa em 21%, enquanto sua economia cresceu 81%. O governador Gavin Newsom destaca que é possível ter um clima saudável e uma economia próspera simultaneamente.
O Investimento Sustentável em Alta
Independentemente das políticas energéticas federais, o setor financeiro dos EUA já está agindo como se uma transição para a energia limpa estivesse em andamento. Ingmar Rentzhog, CEO da We Don’t Have Time, aponta que mais de 90% dos investidores de ativos na América do Norte esperam aumentar suas alocações em estratégias sustentáveis nos próximos dois anos.
Um estudo da Morgan Stanley revelou que 72% dos investidores já incorporam fatores ESG (ambientais, sociais e de governança) em seus processos de avaliação.
O Futuro da Economia do Crocodilo
Mesmo com a administração Trump promovendo uma "emergência energética" a favor dos combustíveis fósseis, as iniciativas de energia renovável continuam a receber apoio, como a energia hidrelétrica e biomassa. A indústria de energia geotérmica está se expandindo com novas tecnologias de perfuração, enquanto a produção de biocombustíveis avança, visando atender às crescentes demandas.
O futuro parece promissor, com empresas como a XCF Global planejando aumentar sua capacidade de produção de combustível sustentável para aviação, sinalizando um movimento crescente em direção à economia limpa.
Conclusão
A Economia do Crocodilo ilustra um caminho viável para países e estados que buscam o crescimento econômico aliado à sustentabilidade. À medida que mais regiões adotam esse modelo, a tendência de desconexão entre crescimento e emissões se torna cada vez mais evidente.
Fonte original: What Is “Crocodile Economics,” and What Does It Mean for Fossil Fuels? - Triple Pundit
Artigo traduzido e adaptado pela equipe Nutricao.net
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