Desaceleração do crescimento solar na China: O que está acontecendo?

Desaceleração do crescimento solar na China: O que está acontecendo?

O crescimento da energia solar na China enfrenta desafios, com uma queda significativa nas novas instalações em 2026. Entenda os fatores por trás dessa desaceleração.

06/06/2026Equipe Nutricao.net
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Boom Solar na China

Desde meados da década de 2010, a energia solar tem sido um pilar fundamental do crescimento das energias renováveis na China. Em 2025, o país instalou impressionantes 315 gigawatts (GW) de nova capacidade, representando mais da metade de todas as novas instalações solares globalmente. No ano anterior, foram 277 GW adicionados. No entanto, em 2026, o cenário mudou drasticamente. Em março, as instalações caíram 56% em relação ao ano anterior, totalizando apenas 9 GW, e em abril, a nova capacidade foi de 10 GW, uma queda de 79% comparado ao ano anterior, segundo análise do Carbon Brief.

Incertezas Domésticas

A desaceleração em 2026 era esperada por analistas. Anteriormente, as instalações maciças de energia solar eram impulsionadas por um forte suporte político, incluindo tarifas fixas para geradores. Em fevereiro de 2025, o governo anunciou um novo sistema de financiamento para projetos solares e eólicos, baseado em contratos de diferença (CfD). Neste novo modelo, a compra de energia de uma determinada capacidade renovável é feita a um preço fixo, que, até agora, tem sido consideravelmente inferior às tarifas garantidas anteriores.

Essa mudança gerou um frenesi de novas instalações antes do prazo limite de junho de 2025, permitindo que os projetos se beneficiassem do antigo regime de preços fixos. Em abril e maio de 2025, as adições solares foram de 45 GW e 93 GW, respectivamente, antes de despencarem para 14 GW em junho, conforme dados do Carbon Brief.

Embora alguns relatórios tenham atribuído a queda acentuada deste ano à diminuição da demanda por energia solar na China, David Fishman, da consultoria Lantau Group, considera isso uma "simplificação excessiva". O verdadeiro desafio é que "desenvolvedores e bancos ainda estão tentando entender como financiar e construir projetos sem garantias de receita respaldadas por políticas".

Yang Biqing, analista de energia na Ember, concorda, ressaltando que o novo sistema CfD criou "maior incerteza" para os desenvolvedores, agravada pela intensa concorrência e pela crescente pressão por consolidação na indústria.

O governo estabeleceu uma meta de 200 GW de nova capacidade solar e eólica para 2026. Fishman acredita que essa meta será "difícil" de alcançar, mas não impossível. Com níveis atuais de adições solares, cerca de 120 GW para o ano, mais 80 GW de nova energia eólica, a China poderia atingir essa meta. Outros, como a Associação da Indústria Fotovoltaica da China, são mais otimistas, prevendo entre 180 a 240 GW de nova capacidade solar em 2026. Contudo, poucos acreditam que as adições se igualarão ao ritmo acelerado de 2025.

Exportações em Alta

Enquanto isso, as exportações solares da China continuam fortes. Em abril de 2026, o país exportou quase 1,2 milhão de toneladas de células solares, segundo a Reuters. Embora tenha caído em relação ao recorde de março, isso representa um aumento de 60% em relação ao ano anterior. Isso demonstra a atratividade da energia solar globalmente, especialmente em um cenário de preços de energia em alta devido ao conflito Irã-EUA.

A demanda por painéis solares tem sido reportada em vários continentes, incluindo Europa, Ásia e África. Por exemplo, nas Filipinas, o conflito está "impulsionando" a adoção de solar, conforme afirmou um analista à Associated Press, acrescentando: "As pessoas querem solar e querem agora."


Fonte original: Chart: Why China’s solar boom is slowing down - Carbon Brief

Artigo traduzido e adaptado pela equipe Nutricao.net

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